Quantos me vêem?

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Masoquismo


Não exijo explicação.
Quero apenas dar a conhecer um dos meus vícios, quase letais.


Escondo partes do meu passado numa Caixa de Pandora, que enterro no fundo do meu rio Tejo imaginário.
Assim como o meu passado, numa caixa à parte, guardo o passado daqueles que passaram por mim. E também a desenterro.
Divirto-me a desenterrar as Caixas, uma e outra vez, para me magoar.
Em momentos em que a felicidade é tanta que até me mete medo, abro-a e deixo o seu conteúdo passar-me pelos olhos e pela mente, e mutilar-me, com cortes lentos e profundos.
Equilibro a felicidade com a dor.
E não me caem lágrimas.
Apenas dou berros interiores, que só não se soltam porque o meu auto-controlo é grande para tal.
Não nego que isto é um vício. Descontrolo-me facilmente com a felicidade, tenho que a igualar com a dor, e só assim volto a ser eu.
No fim, fecho as Caixas e volto a enterrá-las. Sinto-me bem. Aliviada.

A dor é o meu ópio.

sábado, 6 de abril de 2013

Because fuck you, pain, that's why!


É da dor e da humilhação que sofri que sou a pessoa que sou hoje.


Vejo coisas que me magoam. Sou algo que magoa.
Para sobreviver, aprendi a não chorar.
Engulo o choro, e se tiver mesmo de ser, que chore enquanto grito.
Berro para libertar mais facilmente. E, no fim, sorrio. Porque já passou.
E liberta tanto, tanto mesmo...
Liberta o que mais há de selvagem em mim.
Mesmo chorando por algo que magoa, sinto vontade de matar. De fazer sofrer. De ver o Mundo ao mesmo nível que eu.
Mas aprendi a fazer de tudo para evitar situações em que chore.
Depois, mesmo vendo coisas que magoem, e apesar de as sentir, passo a ignorar.

Ignoro. Vejo coisas a que antes chorava, agora fico apenas calada e fria.
Vejo os outros sofrer, a sucumbir por não aguentarem aquele momento.
Vejo pessoas a sofrer por minha causa. Novamente fico calada e fria.
Vejo pessoas erguerem-se. Pergunto-me onde arranjam tanta força.
Vejo que se não fosse a dor, não seria nem pensava assim. E há quem tenha o descaramento de me dizer que devia ter vergonha das humilhações que passei. Tenho é vergonha da pessoa que me disse isto, e de a ver respirar o mesmo ar que eu. Odeio-a.


Vejo e sinto muito. E ainda cá estou, com orgulho e a lamentar-me.

Não sei.


Não sei. Nada sei. E é de nada saber que tudo saberei.




Sabes bem dos meus medos, porque tu próprio os tens, embora sejam mais assustadores.
Não quero que fujas. Que o teu passado seja melhor do que o presente (não quero que lá voltes).
Que mostre que não sou quem pensas ver.
Todos temos uma máscara, e é uma questão de tempo até a minha cair e te arrependeres.
Dizes-me que estás aqui, que lutas, que amas, que não largarás.
Eu digo o mesmo. E sinto que o digo com leviandade. Se algo falhar, já saberás que a culpa é minha.

Não sei porque quero ir passo a passo contigo.
Não sei porque tenho cautela.
Não sei porque quero que as coisas andem devagar.
Não sei porquê.
Não sei, não sei, não sei.
Nem quero saber a resposta, mas quero perguntar.