Quantos me vêem?

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Pecados.




Se não houvesse uma réstia de céu no meio destas nuvens carregadas, talvez pudesse alegrar-me.
Se chovesse, e os pingos me batessem fortes como um castigo, talvez me sentisse confessada.
Se o vento sussurrasse os meus pecados, nem padres aguentariam tanto pai-nosso, avé-maria, ou a minha total expurgação.
Se.

Existe calor. Sufoca-me.
O mal dos meus pecados é perdoado.
Suo, tremo, respiro mais rápido. Sabem que quero voltar a pecar.
Sabem mesmo. Que a minha vontade, a minha raiva, seria saciada se eu assim o quisesse.
Mas não me deixam.
E volta a haver frio. Estou gelada.

Confesso
a Deus Todo-Poderoso
e a vós
irmãos
que pequei muitas vezes
por pensamentos e palavras
actos e omissões
por minha culpa
minha tão grande culpa
E peço á Virgem Maria
Anjos e Santos
e a vós
irmãos
que rogueis por mim
a Deus
Nosso Senhor.

E é este o meu calvário de todos os dias. Antes de poder pecar.
Mas todos sabem que por mais perdão e orações que faça, a quantidade de vezes que pequei é sempre superior.
Meu castigo é viver.