Quantos me vêem?

terça-feira, 24 de abril de 2012

Sinto-me Pequena

Se eu gritar por este texto, conseguirão ouvir-me?




Espero que não.


E se desistir de gritar, por receio de ficar rouca?


Quem me dirá "não desistas", ou "não fiques rouca"?


Espero poder desistir.


Noutra altura enrouquecerei.


E se achar que tudo o que escrevi para trás está errado?
Se achar que tudo o que escrevo é absurdo e horrível e desprezível e...?


Mas a quem quero enganar?


Dizem-me que sou original no que escrevo. (A sério?)
Eu digo que o que escrevo é absurdo.
Logo, a minha originalidade é absurda.


Ora, a minha originalidade está em último lugar, entre as outras originalidades.
Sinto-me pequena.


Talvez seja por isso que o resto dos meus textos esteja em papel.
São o dobro ou mesmo o triplo dos que aqui estão publicados.
São textos envergonhados, com medo do blog.
Medo de outros olhares, de críticas.


Um dia disse que os iria meter aqui.
E talvez o farei.




Mas antes, deixemos escorrer algumas lágrimas ansiosas.
Depois ambicionarei.



domingo, 22 de abril de 2012

Canta, Sonha, Toca.




Como esta senhora e sua voz, nenhuma.






Tenho um vizinho que toca guitarra portuguesa.
Todos o chamam Zé da Guitarra.
Ninguém lhe conhece o verdadeiro nome, nem mesmo o rosto.
Mas sabe-se que é um homem porque quando não lhe ouvimos a guitarra, ouvimos um belo e choroso fado dele.
Mas ele costuma preferir a guitarra, e toca-a com paixão.
De tal ponto me emociona, que dou por mim a cantar fado.
Junto-me à parede onde ele toca, e assim estamos.
E o homem adora o meu fado, ele mete a guitarra a tocar com ainda mais paixão.
E com isto choro enquanto canto, não de tristeza banal, mas sim da tristeza que um belo fado proporciona.
Aquela tristeza tão alegre e audível...
Sei que uma lágrima dele cai sobre as cordas da guitarra, porque o seu toque se altera.
E grito: "Ó bom homem, porque chora?"
Ao que ele responde "Choro porque é este o meu fado, correspondido e amado!"