"Obrigado por me salvares".
Bastou-me aparecer, e salvei.
Cada soluçar dele corta-me profundamente o peito.
Os seus abraços fortes e desesperantes prendem-me. O ar foge-me.
Entendo a necessidade. Entendo a urgência.
E felicito-me por ser eu quem ali está.
Socorro-o estando apenas junto a ele.
E ele regressa à vida uma, e outra, e outra, e outra vez.
Fui-lhe cruel.
Má e insensível.
Disse palavras feias, levantei a mão mais que uma vez.
Por erros dele e do seu passado.
Perdoa-me.
Passámos por ondas e tormentas que podiam ter virado o barco.
Superámos problemas que podiam ter acabado a relação.
Ainda aqui estamos. E continuaremos a estar.
Bons momentos passámos, e repetimos
Ruins memórias e pessoas ousaram, não conseguiram, destruir.
Uma nova vida, a dois, conquistaremos
Novos desafios virão
Onde eu e tu os ultrapassaremos.
Não sou de ferro.
Tal como tu, amor, tens as tuas fraquezas, eu tenho as minhas.
Procuras-me como refúgio desses teus gemidos profundos.
Eles que ecoem. Que derrubem os provocadores de tais barbaridades.
Já os meus, em ti, transformam-se em gargalhadas.
Da felicidade que partilho contigo.
Aqui estou.
Daqui não sairei.
Quantos me vêem?
domingo, 18 de agosto de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Uma Nova Vida Não Significa Melhor.
Acabei o Secundário.
Trabalho agora a servir clientes ás mesas.
E de ambas as experiências não sei qual delas a pior.
Na escola era uma excluída.
E agora aqui sinto ainda mais o ser.
Vejo jovens como eu com uma vida fantástica aos meus olhos. Falam com os amigos sobre os amigos, a faculdade, o emprego, e tudo o mais. Tomam um café, e esse café une-os. Acima de tudo, têm amigos com quem tomar um café.
E eu sou a simples empregada que lhes serve.
Passo as tardes no meu estabelecimento a olhar para as pessoas que passam na rua.
Parecem felizes. Estão juntos, riem, brincam, tudo.
Os meus dias são a servir clientes. Uns mais estúpidos que outros. E louvo todos os clientes simpáticos que atendi. Aqueles que em momentos de reflexão interior sobre a minha desgraça, conseguiam arrancar-me uma gargalhada e devolver-me por segundos o suspiro débil que ainda devo ter dentro de mim.
Invejo e felicito todos aqueles que com a minha idade ou pouco mais conseguiram alcançar mais e melhor do que eu.
Espero também conseguir. Oxalá seja capaz.
No fundo, o motivo que leva as pessoas a trabalhar é nada mais que o salário.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
( I )Mortal.
Existe no meio o que chamamos de viver.
Rimos, choramos, fazemos e coçamo-los. Sim, os tomates.
Preguiçamos, amamos, odiamos, e tudo o mais.
No fim todos deixamos de ver, sentir e respirar. É o fim.
Será?
Procuramos o consolo desta suposta tristeza julgando falar com a pessoa que já se encontra para lá deste mundo.
Porque ela ainda respira, dentro de cada um que tocou, cada coração e mente.
Só nos entristecemos por não a mais podermos ouvir a sua voz, ter o seu toque, e tudo o mais.
Porque, de resto, a pessoa ainda lá está.
Vivemos com o sentimento que somos imortais. Que podemos enganar a Morte.
Ou atrasá-la. Mas ela é que nos atrasa, até quando ela bem o entender.
Temos esperança.
Suponho que antes de morrermos, temos o vislumbre da gadanha dela a brilhar, pronta a ceifar-nos.
Porque eu a vi, e não foi nos meus olhos. Foi nas dos meus queridos, e nas dos queridos de muita gente.
Que cruel e libertadora atitude.
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