Quantos me vêem?

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

( I )Mortal.


Nascemos e morremos.
Existe no meio o que chamamos de viver.
Rimos, choramos, fazemos e coçamo-los. Sim, os tomates.
Preguiçamos, amamos, odiamos, e tudo o mais.
No fim todos deixamos de ver, sentir e respirar. É o fim.
Será?

Procuramos o consolo desta suposta tristeza julgando falar com a pessoa que já se encontra para lá deste mundo.
Porque ela ainda respira, dentro de cada um que tocou, cada coração e mente.
Só nos entristecemos por não a mais podermos ouvir a sua voz, ter o seu toque, e tudo o mais.
Porque, de resto, a pessoa ainda lá está.

Vivemos com o sentimento que somos imortais. Que podemos enganar a Morte.
Ou atrasá-la. Mas ela é que nos atrasa, até quando ela bem o entender.
Temos esperança.

Suponho que antes de morrermos, temos o vislumbre da gadanha dela a brilhar, pronta a ceifar-nos.
Porque eu a vi, e não foi nos meus olhos. Foi nas dos meus queridos, e nas dos queridos de muita gente.

Que cruel e libertadora atitude.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Pecados.




Se não houvesse uma réstia de céu no meio destas nuvens carregadas, talvez pudesse alegrar-me.
Se chovesse, e os pingos me batessem fortes como um castigo, talvez me sentisse confessada.
Se o vento sussurrasse os meus pecados, nem padres aguentariam tanto pai-nosso, avé-maria, ou a minha total expurgação.
Se.

Existe calor. Sufoca-me.
O mal dos meus pecados é perdoado.
Suo, tremo, respiro mais rápido. Sabem que quero voltar a pecar.
Sabem mesmo. Que a minha vontade, a minha raiva, seria saciada se eu assim o quisesse.
Mas não me deixam.
E volta a haver frio. Estou gelada.

Confesso
a Deus Todo-Poderoso
e a vós
irmãos
que pequei muitas vezes
por pensamentos e palavras
actos e omissões
por minha culpa
minha tão grande culpa
E peço á Virgem Maria
Anjos e Santos
e a vós
irmãos
que rogueis por mim
a Deus
Nosso Senhor.

E é este o meu calvário de todos os dias. Antes de poder pecar.
Mas todos sabem que por mais perdão e orações que faça, a quantidade de vezes que pequei é sempre superior.
Meu castigo é viver.